Há tempos, a cidade de Barra Mansa tem lidado com o comércio ambulante ilegal, um problema tanto para pedestres como para lojistas. E, em período de pandemia, a situação se torna ainda mais alarmante. Além de os ‘camelôs’, como são popularmente conhecidos, invadirem as calçadas de maneira desordenada, atrapalhando o fluxo de pessoas e dificultando o acesso de clientes às lojas, o caso tem se tornado um problema de saúde pública, uma vez que parte dos produtos comercializados não possui autorização para tal.

O assunto foi tema de uma reunião ocorrida na tarde da última terça-feira, dia 28, quando o presidente da CDL Barra Mansa, Leonardo dos Santos, acompanhado por diretores de outras entidades representativas, se reuniu com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, Jair Gomes. O objetivo do encontro foi alinhar ações por parte da Prefeitura no sentido de que os ambulantes oficiais de Barra Mansa sigam regras de proteção no combate ao coronavírus.

“Não somos contra o comércio ambulante, desde que o vendedor seja cadastrado junto à Secretaria de Ordem Pública e que a comercialização dos produtos siga todas as recomendações de higienização das autoridades sanitárias, como forma de proteção a todos e segurança do comércio ”, pontuou Leonardo, acrescentando ainda a necessidade dos camelôs ainda irregulares se adequarem junto à Prefeitura, uma medida que visa evitar também a venda de produtos que possam colocar em risco a saúde coletiva, especialmente em tempos de pandemia.

Outra situação que causa preocupação, segundo Leonardo, é que um número considerável de vendedores irregulares na cidade vem de outras regiões, como São Paulo ou Baixada Fluminense, e comercializam produtos sem garantia, de procedência duvidosa e, no caso de alimentos ou máscaras de proteção facial, sem qualquer segurança sanitária.

Lucas Alves é empresário do ramo da gastronomia em Barra Mansa e destaca a importância de se respeitar as regras para manter a ordem na cidade e garantir a segurança dos consumidores. “Acredito que todos devam ter o direito de trabalhar, mas que também deva haver isonomia de regras, principalmente agora com a pandemia. Não é justo que os comerciantes sofram uma série de imposições e restrições para funcionar, e existam ambulantes desregulamentados que não cumprem as regras vigentes para controle da Covid-19, colocando em risco a saúde das pessoas e o funcionamento do comércio”.

Hoje, segundo informações do secretário de Ordem Pública, William Pereira, há cerca de 40 ambulantes licenciados no Centro e no Ano Bom, mas vale lembrar que o decreto que regulamenta a atividade no município não permite que se comercializem produtos ou mercadorias sendo morador de outra cidade, uma vez que isso acaba tirando a oportunidade de outros ambulantes e prejudicando o comércio local. Atualmente, existem diversos mecanismos, como o MEI (Programa do Microempreendedor Individual) por exemplo, que regularizam a atividade econômica e possibilita cidadania empresarial com direitos e benefícios. A formalização garante, inclusive, a contribuição previdenciária para fins de aposentadoria e auxílio doença.

Cabe destacar que, há mais de 50 anos, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Barra Mansa tem atuado incessantemente em iniciativas que visem o incremento e melhoria das condições de negócios, a valorização do empresário que age de acordo com a normatização e dentro da legalidade, e, paralelamente, o desenvolvimento econômico e social da cidade. A CDL trabalha em prol dos lojistas, a maior classe que gera emprego e renda na cidade.

Na ocasião do encontro, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Barra Mansa lembrou que os ambulantes cadastrados devem seguir o mesmo horário praticado pelas lojas físicas neste período de restrições por conta da Covid-19 e destacou o aumento da venda de máscaras de proteção facial por ambulantes. “No entanto, o produto precisa estar acondicionado e exposto da maneira adequada. Não podemos permitir que esse material tão essencial à proteção de vidas seja exposto sem os cuidados adequados”.

O encontro ainda contou com os presidentes da Aciap-BM (Associação Comercial, Industrial, Agro-pastoril e Prestadora de Serviços), Bruno Paciello; do Codec (Conselho de Desenvolvimento Econômico de Barra Mansa), Arivaldo Corrêa  Mattos; do Sicomércio (Sindicato do Comércio Varejista), Hugo Tavares; e do secretário municipal de Planejamento Urbano, Éros dos Santos; além dos comerciantes Paulo de Ávila e Gleidson Gomes, todos engajados em disseminar a importância da proteção coletiva e buscar o melhor para a cidade.