Neste sábado, 25, é celebrado o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha. A prefeita em exercício de Barra Mansa, Fátima Lima, comentou sobre a data. Disse que ao longo da história as mulheres negras estão transpondo os desafios e deixando as suas marcas.

- Ainda há muita luta pela frente, mas se olharmos um passado recente, os avanços são perceptíveis. As mulheres negras estão na base piramidal da sociedade e para reparar as desigualdades sociais foram e ainda são necessárias a implementação de políticas públicas voltadas à promoção da equidade. É uma ação afirmativa que possibilita concretizar o preceito constitucional de igualdade de direitos e de oportunidades para todos os cidadãos – disse.

Fátima Lima rememorou a história de algumas mulheres negras que deram sua contribuição, seu trabalho e até a vida para que a gritante desigualdade social e o preconceito ganhassem visibilidade. “Não é um lamento pelas condições que nos afligem, mas um, reconhecimento, por exemplo, da luta de Tereza de Benguela, líder quilombola que viveu no atual Estado de Mato Grosso do Sul durante o século 18. Sob sua liderança, a comunidade negra e indígena do Quilombo do Quaritetê resistiu à escravidão por duas décadas, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças de Luiz Pinto de Souza Coutinho e a comunidade morta ou aprisionada”, destacou.

A prefeita em exercício enfatizou que diante da miscigenação existente no Brasil e o forte preconceito étnico-racial ainda existente, foram necessárias as criações de leis, como a de cotas nas universidades e a de criminalização do racismo. Para ela, a educação é o instrumento capaz e eficaz de promover as mudanças tão almejadas não somente pelas mulheres, mas pela população negra. “As pessoas precisam ser enxergadas além da cor da pele, da sexualidade e de outras escolhas pessoais. Precisam se encaradas como seres humanos. Penso que a educação é o caminho para trabalharmos essas questões”.

À frente do Executivo há cerca de duas semanas, Fátima Lima, afirmou que a situação atual é delicada, mas que acreditava que se estava ali, era para vencer mais este desafio. Emocionada, ela se recorda:

- Quando criança, no interior de Minas Gerais, andava a pé e descalça quilômetros de distância para chegar até a escola. Eu enfrentei o frio. Me lembro de sentir os pés gelados e ainda assim, ter forças para atingir meus objetivos, que naquele momento era estudar. Tenho um grande orgulho de ser professora de carreira do município e do Estado e reconhecer que em toda a minha trajetória de vida o Senhor sempre esteve presente, assim como a minha família. Neste momento, só posso dizer que Deus sempre me ajudou e que estou aqui por Barra Mansa – concluiu.